Pode uma final da Taça da Liga terminar com três derrotados? A resposta, por muito paradoxal que pareça, é afirmativa. Aconteceu neste sábado no Estádio do Algarve. É claro que houve uma equipa a vencer, o Benfica, no “sorteio” das grandes penalidades, mas isso reforçou apenas a injustiça de um penálti mal assinalado contra o Sporting que levou o encontro para este desfecho.
Perdeu Paulo Bento, tal como há um ano; perdeu Quique Flores, por demonstrar uma total falta de audácia; perdeu, acima de tudo, a equipa de arbitragem liderada por Lucílio Baptista. Como crueldade suprema para os “leões”, seria o ex-sportinguista Carlos Martins a oficializar a derrota da sua antiga equipa.
Parecia tudo correr de feição ao Sporting. Um golo de Pereirinha, logo a abrir a segunda parte, colocava a equipa de Alvalade perto de festejar o seu segundo título da temporada, que juntaria à Supertaça. Mas o minuto 73 seria fatídico para os “verde e brancos”. Um penálti injusto recolocaria o empate no marcador e deixaria Paulo Bento com menos uma unidade para a recta final da partida. Faltou, porém, audácia ao seu homólogo da Luz para resolver o jogo no tempo regulamentar. Quique Flores terá mesmo aberto muitas das bocas do Estádio do Algarve ao retirar de campo Reyes (o marcador de penáltis oficial da equipa) a dois minutos dos 90’.
No epílogo das grandes penalidades, a fortuna voltaria a trair os “leões”, com Rochemback, Derlei e Hélder Postiga a não aproveitarem as falhas de Aimar e Katsouranis. Quim, ostracizado por Quique Flores na Liga, foi o homem da final e entregaria de bandeja aquele que pode muito bem ser o único troféu da temporada do seu treinador.
Paulo Bento desperdiçou a segunda oportunidade de vencer uma final da Taça da Liga. Perdido há um ano neste mesmo estádio para o Vitória de Setúbal, também nas grandes penalidades, o troféu promete tornar-se maldito para os “leões”. Resta a Liga ao treinador sportinguista, que pretendia utilizar uma vitória nesta final como uma panaceia para recuperar o orgulho ferido dos adeptos após a humilhação europeia aos pés do Bayern Munique.
Tiago na baliza leonina e Nuno Gomes no ataque “encarnado” foram as surpresas guardadas pelos treinadores das duas equipas para a final. Se a troca de guarda-redes não implicou grandes alterações no “onze” de Paulo Bento, já a inclusão do atacante obrigou a um rearranjo no habitual esquema de Quique Flores.
Mantendo Aimar e Reyes na equipa, com Suazo mais adiantado, apoiado por Nuno Gomes, o espanhol não prescindiu de uma dupla de médios mais recuados. Ao lado de Katsouranis, Ruben Amorim tinha especiais preocupações em apoiar os jovens defesas Miguel Vítor e David Luiz, para minimizar os efeitos das investidas de Pereirinha.
É verdade que os “leões” assumiram cedo a iniciativa da partida, mas o contra-ataque benfiquista esteve perto de render um golo madrugador, quando logo aos 4’, Aimar isolou Nuno Gomes, que não conseguiu bater Tiago. Foi o primeiro de uma longa série de lances perigosos que levaram aromas de golo às duas balizas, num encontro onde a ansiedade e virilidade dentro do relvado nunca deixaram esquecer que, mais do que vencer, as equipas estavam proibidas de perder.
Ficha de jogo
Jogo no Estádio do Algarve.
Assistência Cerca de 30.000 espectadores.
Sporting Tiago, Pedro Silva, Daniel Carriço, Polga, Caneira, Rochemback, Pereirinha (Romagnoli, 92’), Vukcevic (Abel, 76’), João Moutinho, Derlei e Liedson (Postiga, 92’).
Benfica Quim, Maxi Pereira, Luisão, Miguel Vítor, David Luiz, Katsouranis, Aimar, Ruben Amorim (Carlos Martins, 79’), Reyes (Cardozo, 89’), Nuno Gomes (Di María, 64’) e Suazo.
Árbitro Lucílio Baptista, de Setúbal.
Amarelos Pedro Silva (21’ e 73’), Reyes (41’), Polga (62’), Miguel Vítor (68’), João Moutinho (71’).
Vermelho Pedro Silva (73’).
Golos 1-0, por Pereirinha, aos 48’; 1-1, por Reyes, aos 75’ (g.p.).
Desempate por penáltis
1-0, por Romagnoli
Tiago defende remate de Aimar
Quim defende remate de Rochemback
1-1, por Cardozo
2-1, por Moutinho
Katsouranis atira para fora
Quim defende remate de Derlei
2-2, por David Luiz
Quim defende remate de Postiga
2-3, por Carlos Martins
Notícia actualizada às 23h07
POSITIVO e NEGATIVO
+
Quim
Foi o homem do jogo. Defendeu três penáltis de forma categórica e conseguiu minimizar os efeitos daqueles que foram falhados pelos seus companheiros de equipa. Perdeu o lugar na baliza do Benfica para Moreira, mas foi ele que valeu o momento mais alto de Quique Flores na Luz.
Reyes e Pereirinha
Foram os autores dos golos durante o tempo regulamentar e estiveram em bom plano na globalidade do encontro.
Público
Apesar do mau momento das respectivas equipas, os adeptos compareceram em força no Estádio do Algarve.
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Quique Flores
Apesar da vitória no acaso dos penáltis, o espanhol voltou a deixar uma imagem de um treinador pouco ousado. Mais do que procurar vencer, com o encontro empatado e mais uma unidade no terreno de jogo, pareceu satisfeito com o facto de o desfecho da final ter resvalado para as grandes penalidades.
Sporting
Depois da humilhação na Liga dos Campeões, a injustiça da derrota nesta final terá deixado de rasto adeptos e jogadores. A uma semana de arrancar um congresso que irá discutir toda a vida do clube, o momento é de balanço e grande reflexão.