Foi no balneário do Estádio do Dragão, minutos após a derrota com o Manchester United, que Pinto da Costa fez o convite a Jesualdo Ferreira para se manter por mais dois anos como treinador da equipa de futebol do FC Porto. A cerimónia de renovação realiza-se hoje às 17h30.
A revelação foi feita por Jesualdo Ferreira, em entrevista à Agência Lusa, tendo sido o próprio a sugerir que se esperasse pelo final da época para avaliar as condições e para tornar efectivo o acordo selado com um aperto de mão.
"Já uns meses antes, em conversas informais, era normal entre mim e o presidente conversarmos às vezes sobre o que ia ser o futuro próximo do FC Porto e depois da eliminação com o Manchester, no Dragão, o presidente, no balneário e num momento não muito feliz, perguntou-me se eu queria continuar no FC Porto mais dois anos e se fosse essa a minha vontade naquela altura daríamos um aperto de mão e estaria selado o acordo. Foi assim, tão simples quanto isto", começou por explicar Jesualdo Ferreira.
A decisão de não tornar pública a renovação de contrato partiu do próprio treinador, que preferiu esperar que a equipa confirmasse o título de campeã e a Taça de Portugal.
"Também naquela altura se entendeu que a forma de revelarmos esse acordo deveria obedecer a alguns timings e eu entendi e sugeri que talvez fosse importante fazê-lo no fim, porque também achava que era determinante para mim, e para nós no FC Porto, sentir o pulsar do campeonato, que ainda estava longe de estar terminado. Nós sabemos bem para o presidente o que é que isto representa e da gestão que ele faz ao longo destes anos todos. Independentemente do carinho especial que ele tem por mim e que eu tenho por ele, há questões sempre de natureza desportiva e profissional que ao presidente são bem caras, que é o sucesso do FC Porto, e por isso entendemos que o melhor era fazermos o balanço no fim e que a decisão de anunciar este desafio que me tinha feito deveria ser feito no final da Taça, porque para nós, ou pelo menos para mim, era o melhor caminho para rentabilizar o nosso trabalho e acima de tudo porque também tinha esperanças, não diria certezas porque ninguém tem, mas a esperança convicta de que seríamos campeões e ganharíamos a Taça".
Ainda sobre a renovação de contrato, Jesualdo revelou ter ficado surpreendido com o momento, mas sempre foi dizendo que era uma coisa que "esperava" que viesse a acontecer.
"Na altura quando conversámos nem me estava a passar pela cabeça que o presidente me iria convidar para continuar no FC Porto. Não diria que não era isso que eu esperasse ou que não desejaria, mas naquela altura, logo a seguir à Champions, foi uma surpresa de alguma forma acontecer naquele momento, embora seja comum no presidente escolher os momentos próprios para resolver determinadas questões mais sensíveis e mais importantes".