Quem foram os melhores jogadores da liga?
O melhor foi o Bruno Alves. Foi titular nas 30 jornadas, nunca se lesionou, jogou sempre na Champions, na selecção e atingiu 50 e tais jogos sempre com um rendimento ascendente. Pela sua robustez e pela sua eficácia, foi o melhor da Liga. Por outro lado, acho que o Liedson foi fundamental no Sporting.
E as revelações?
O Fernando e o Hulk.
Está preparado para perder Bruno Alves e Lisandro?
No FC Porto e na sua história, e até pelas prestações que a sua equipa faz, qualquer treinador tem de estar preparado para perder jogadores importantes. Preparado não significa que se goste ou queira. Significa apenas que pode começar a época com outros jogadores. Uma das atribuições do treinador no FC Porto é potencializar jogadores por forma a criar mais-valias que estabeleçam os equilíbrios financeiros necessários.
Continua a haver a ideia de que o FC Porto não tem um substituto à altura de Lucho. Não está arrependido de não ter ficado com Luís Aguiar?
Não, não. O Luís Aguiar não tem características para substituir nenhum jogador do meio campo do FC Porto. Foi alguém que indiquei ao FC Porto, num processo de empréstimo que obrigava a decisões definitivas um ano depois. E nós achámos que, independentemente da qualidade dele, não justificava naquele momento um investimento de verbas relativamente avultadas. Não havia garantias claras de que podia ser rentabilizado na estrutura do FC Porto. Não está em causa o valor dele.
Esperava mais de Sapunaru, Tomás Costa e Guarín?
Qualquer deles foi fazendo uma evolução natural e normal. Nenhum jogador sul-americano (designadamente os que não tenham tido na Argentina um trajecto muito seguro) tem capacidade para chegar ao FC Porto ou a um clube europeu de grande exigência e impor-se logo em definitivo. As excepções só confirmam a regra. Independentemente das qualidades humanas e técnicas desses jogadores, existem questões de natureza táctica que criam dificuldades à sua integração. O processo de adaptação de Tomás e do Guarín foi feito com naturalidade. O Sapunaru veio da Roménia, teve dificuldades defensivas no início, mas reequilibrou-se. Foi sempre um jogador que não conseguiu uma estabilidade definitiva. Terá ficado aquém, esse sim, do que eu esperava.
Porque não se impôs Pelé?
Porque não tem o traço, nem de carácter nem de estrutura táctica, para ser o “seis” que o FC Porto precisa. Isto sem colocar em dúvida minimamente as qualidades grandes que o Pelé tem. Poderá não ser o “seis” que o FC Porto deseja, mas poderá sê-lo noutro clube qualquer ou noutro país.
Pensa ficar com Andrés Madrid?
Fez uma tarefa importante, que foi ficar na segunda linha relativamente ao Fernando. Quando utilizado, cumpriu sempre. É tacticamente muito evoluído. É o único do actual plantel com capacidade para substituir o Fernando.
Pensa ficar com ele?
É uma decisão que tem de passar pelas negociações entre o FC Porto e o Braga.
Como explica a eficácia de Lisandro na Champions e o menor rendimento na Liga portuguesa?
Não é fácil responder. O clima e as condições tácticas em que os jogos da Champions se jogam são diferentes. O Lisandro fez 24 golos no campeonato anterior e não fez tantos golos na Liga dos Campeões como fez este ano. A diferença tem muito mais a ver com a oportunidade e a forma como os jogos decorreram do que com seu rendimento individual.
Qual foi o adversário mais difícil que encontrou?
O Manchester foi a equipa mais difícil, aquela que mas nos pôs à prova e que mais atestou a qualidade que podemos atingir.
E a nível interno?
Os jogos com o Benfica e o Sporting. Foram quatro jogos maus, mal conseguidos. Ganhámos em Alvalade, onde fomos melhores, mas os outros foram jogos de muito equilíbrio e muito tácticos. Em que nenhuma das equipas se conseguiu soltar.
E de que equipa nacional esperava mais?
Do Braga.
E a surpresa positiva?
O Nacional. Pela capacidade que teve de aguentar o campeonato todo num lugar que não é fácil de conseguir.