José Eduardo Moniz anunciou esta noite que não vai ser candidato à presidência do Benfica.
O director-geral da TVI confirmou o que pouco antes das nove da noite uma fonte do movimento "Benfica, vencer, vencer" tinha avançado ao PÚBLICO.
"Apesar do voluntarismo e dedicação de muitos que me têm apoiado, entendo não estarem reunidas as condições para poder avançar com tal candidatura", explicou Moniz. "Não se trata de ganhar ou de perder. Dizem-me que ganhar até não seria difícil, mesmo apesar do golpe estatutário. Mas não me interessa ganhar por ganhar, para depois ser obrigado um projecto de outros, que era na prática o que iria acontecer, dados os compromissos entretanto assumidos pela direcção em gestão."
José Eduardo Moniz recusou ser candidato desta vez, mas deixou a porta aberta para o futuro. "Se eventualmente se reunirem condições, se houver benfiquistas que achem que posso corporizar uma alternativa, obviamente que sim", respondeu. "Acho que é possível construtir um projecto, novo, moderno, de mudança, que reconduza o Benfica à grandeza que teve e que seja um Benfica fora da lógica das negociatas e do desfile de jogadores que abundam pelo estádio da Luz e que não se sabe bem ao que vêm."
Antes do anúncio da decisão, Moniz proferiu um discurso forte, em que até se poderia pensar que iria mesmo avançar. "As pessoas conhecem-me. Quando me meto em qualquer projecto, é para ganhar. As dificuldades não me metem medo e os desafios não me amedrontam, como a minha vida profissional bem o demonstra. O tamanho dos adversários também não, muito menos as ameaças sibilinas que ao longo dos últimos dias fui recebendo", disse o antigo jornalista.
Moniz aproveitou ainda para criticar o rumo do Benfica nos últimos anos. "Desde há algum tempo é com tristeza e amargura que sigo o percurso de um clube que da glória passou à banalidade", acusou, lembrando um momento particular, a derrota com a Académica (3-0), no Estádio da Luz, em Abril de 2008. "Mal esse jogo terminou, e pela primeira vez na vida, não conseguindo conter o meu desencanto, enviei uma mensagem ao principal responsável do Benfica, dando conta de que a situação se tornara insustentável e que o clube se tornara uma pálida imagem da sua história, revelando que uma mudança era urgente."
Todos estes sentimentos, porém, não foram suficientes para convencer o director-geral da TVI a avançar. Moniz enumerou a falta de tempo para preparar a candidatura, bem como a antecipação das eleições como razões para não avançar. E acrescentou razões familiares e profissionais. "Obviamrente não era fácil em dois ou três dias encontrar soluções para toda a panóplia de problemas com os quais fui obrigado a defrontar-me. Por um lado o Benfica, por outro lado a minha situação profissional na TVI e obviamente também a minha família", explicou, embora referindo que na TVI foram criadas condições para que se candidatasse, "com as consequências que daí adviriam."
O responsável da estação de Queluz deixou mesmo a ideia de que se a eleições fossem em Outubro, seria candidato: "Se tivessem sido mais tarde, estaria aqui hoje a contar uma história diferente."
Notícia actualizada às 23h34