A recusa de José Eduardo Moniz em se candidatar às eleições do Benfica significa que o movimento de oposição que o convidou se vai afastar da corrida eleitorial de 3 de Julho. Rui Rangel, um dos principais rostos do movimento “Benfica, vencer, vencer”, avançou ao PÚBLICO que este grupo não vai “a jogo apenas por ir”. “As regras do jogo estão viciadas e não vamos ter atitudes suicidas”, explicou o juiz desembargador, depois de José Eduardo Moniz ter anunciado que não é candidato.
O núcleo duro deste movimento — formado pelo antigo director-geral José Veiga, o médico João Varandas Fernandes, o ex-vice-presidente Fernando Tavares e Rui Rangel — ia reunir-se ontem à noite, mas o juiz desembargador garantiu ao PÚBLICO que o sentimento de todos era recuar, depois de um projecto que consideravam “vencedor” não ter avançado, por “falta de tempo”.
Rui Rangel garantiu ainda que o movimento criado nas últimas semanas “vai continuar e fiscalizará os actos da direcção”. Para hoje está marcada uma conferência de imprensa, em que será explicada a decisão de recuar e em que também serão feitas duras críticas a Luís Filipe Vieira e aos seus colaboradores. Rangel acusa mesmo o actual presidente de ter colocado “muitos obstáculos” e de “ter feito ameaças”: “Houve hóteis, que trabalham habitualmente com o Benfica, e que se recusaram a fazer a nossa conferência de imprensa. E houve situações de tentar influenciar a imprensa, com o director de comunicação do Benfica a enviar faxes e mensagens a tentar influenciar órgãos de comunicação social, para não nos darem voz”.
O PÚBLICO confrontou João Gabriel, director de comunicação do Benfica, com estas acusações. “É uma reacção absurda, de quem vê muitos filmes de ficção, e tem problemas em lidar com o fracasso”, respondeu, prometendo avançar com um processo judicial.
Moniz para o futuro
José Eduardo Moniz foi o homem escolhido pelo movimento formado em redor de José Veiga e o director-geral da TVI ponderou seriamente a hipótese de se candidatar. Ontem multiplicou-se novamente em reuniões com a administração da TVI, mas decidiu não avançar. A decisão foi bem guardada e mesmo amigos próximos só souberam da decisão perto das nove da noite, quando Moniz entrou num hotel de Lisboa, de gravata vermelha e com folhas “encarnadas” na mão.
Esperou alguns minutos, para que as televisões pudessem entrar em directo (“não quero discriminar ninguém”) e começou por ler um discurso sentido. Quem ouvisse as primeiras frases de Moniz, seria tentado a pensar que estava encontrado um rival de Vieira na corrida eleitoral. “Quando me meto em qualquer projecto, é para ganhar. As dificuldades não me metem medo e os desafios não me amedrontam, como a minha vida profissional bem o demonstra. O tamanho dos adversários também não, muito menos as ameaças sibilinas que ao longo dos últimos dias fui recebendo.” Mas a decisão estava tomada. A recusa justifica-se pela “falta de tempo” para preparar devidamente a candidatura, pelo timing das eleições (não queria ser obrigado a gerir um projecto de outros por causa dos compromissos já assumidos) e ainda por razões familiares e profissionais.
Convidado há duas semanas para se candidatar, Moniz disse “não” agora, mas deixou a porta aberta para o futuro. “Se eventualmente se reunirem condições, se houver benfiquistas que achem que posso corporizar uma alternativa, obviamente que sim.”