Uma autêntica batalha campal entre adeptos leoninos e encarnados provocou a interrupção do derby e levou ao pânico os cerca de três mil espectadores na Academia de Alcochete.
Amido Baldé, avançado do Sporting, acabara de falhar um golo de cabeça, mas já pouca gente na Academia de Alcochete estava concentrada no derby com o Benfica que iria decidir o campeonato nacional de juniores.
Uma saraivada de pedras atingiu uma bancada amovível, obrigando os espectadores a refugiar-se em pânico entre os jogadores no relvado. Poucos metros atrás, elementos das claques das duas equipas combatiam à pedrada, com a polícia a disparar para o ar para travar a violência. Pelo menos dois feridos, veículos danificados e o adiamento do encontro foi o resultado dos incidentes.
Tudo terá começado quando algumas dezenas de elementos da claque do Benfica chegaram à porta da Academia do Sporting, em Alcochete, numa altura em que a partida já tinha principiado. Os poucos elementos da polícia que os escoltavam acabaram por ser impotentes para travar as provocações entre adeptos dos dois clubes (separados apenas por uma cerca de arame), que começaram a reagir de um lado e de outro com pedras.
Estas iam provocando danos nos veículos, à medida que os confrontos se iam aproximando do local da partida (onde estavam cerca de três mil pessoas), acabando por visar também os espectadores presentes na bancada amovível, entre os quais muitas crianças.
Todos procuraram refúgio no relvado do jogo, interrompendo o encontro. Os confrontos prosseguiram, com as pedras e tochas a dirigirem-se agora para a bancada principal e o relvado. Instalou-se o caos.
O Corpo de Intervenção da GNR, entretanto reforçado, acabou por controlar os acontecimentos, com José Eduardo Bettencourt, presidente dos “leões”, a descer ao relvado para tentar também acalmar os ânimos. Mas a partida não tinha condições para prosseguir e acabou mesmo por ser adiada para data a definir (ver caixa), 45 minutos depois de ter sido interrompida.
No final da tarde, Pedro Mil-Homens, responsável pela Academia do Sporting, leu um comunicado em que lamentava profundamente mais esta página negra no futebol nacional. “É um dia triste para a Academia e para o futebol de formação”, começou por dizer, antes de defender que os “leões” tomaram “as medidas certas” para organizar este derby decisivo. “O jogo foi normal até aos 25 minutos e as coisas apenas se transtornaram com a entrada de alguns adeptos organizados, que danificaram carros dentro e fora do recinto. Atiraram pedras aos adeptos que até então estavam a ver o jogo”, descreveu.
Em comunicado, também o Benfica acusa os adeptos leoninos de agressões e provocações, que não foram devidamente assumidas pelo clube de Alvalade.
Apesar de tudo, miraculosamente, a violência terá provocado ferimentos visíveis em apenas dois adeptos. Um saiu do recinto de maca, com um braço engessado, e outro apresentava ferimentos na cabeça. Dentro dos terrenos da Academia permaneceram os adeptos benfiquistas por mais duas horas, vigiados de perto pelas autoridades, enquanto os adeptos do Sporting abandonavam o local.
Notícia actualizada às 23h29