Há um ano, Ángel Di María brilhava nos Jogos Olímpicos de Pequim. Agora começa finalmente a despertar na Luz. O argentino, de 21 anos, abriu o caminho para a goleada do Benfica ao Vorskla Poltava (4-0), que deixa a formação de Jorge Jesus praticamente apurada para a fase de grupos e permite pôr quase as duas mãos no milhão de euros que vale o apuramento.
Depois de um empate, e muitas oportunidades falhadas, na estreia no campeonato, o Benfica ganhou um novo fôlego. Cardozo marcou o penálti que falhara contra o Marítimo; Saviola também acertou na baliza e Weldon, o suplente de luxo, voltou a mostrar uma excelente relação com os golos. Jesus ainda pôde estrear Ramires (que deu boas indicações) e César Peixoto, viu Javi García mostrar qualidade como trinco e comprovou que David Luiz é muito melhor como central do que como lateral-esquerdo.
Tudo isto, porém, só foi possível porque Di María despertou o que estava a ser o pior Benfica da época. É que Jorge Jesus lançou Shaffer em vez de Sidnei, para ter uma equipa mais ofensiva, mas o que se viu na primeira meia-hora foi o oposto do desejo do técnico. O Benfica atacou pouco, mal e com péssima pontaria. Faltavam velocidade, bons passes e desmarcações. Na verdade, faltava bom futebol.
O Vorskla mostrava ter a lição bem estudada, fechando bem os caminhos para a sua baliza. E até conseguiu criar perigo para a baliza de Quim, quando Markoski (claramente o melhor jogador dos ucranianos) cabeceou por cima (15’).
Este período negro só acabou quando apareceu Di María. E de uma maneira inesperada — um passe de Fábio Coentrão, que mais parecia um alívio por causa da pressão dos adversários, foi cair nas costas da defesa do Vorskla, onde apareceu um veloz Di María. O argentino isolou-se e colocou a bola por cima do guarda-redes Dolganskyi (31’), marcando na primeira verdadeira oportunidade do Benfica.
O golo acordou a equipa da Luz, que até poderia ter chegado ao intervalo com uma vantagem mais dilatada. O que só não aconteceu porque Saviola (39’ e 41’) e Fábio Coentrão (41’) viram os remates desviados pelo guarda-redes ucraniano.
Dolganskyi, no entanto, seria incapaz de parar a avalancha ofensiva da segunda parte. Logo aos 54’, Saviola foi rasteirado na área. Cardozo mostrou ter aprendido a lição e, em vez do remate em jeito, marcou a grande penalidade em força, fazendo o 2-0. O terceiro golo demorou apenas três minutos — após um passe de Di María, Cardozo fez um excelente trabalho, rodando sobre si próprio, antes de assistir Saviola, que se estreou a marcar pelo Benfica em jogos oficiais.
O Vorskla, que mostrou boa organização no início do jogo, revelava então todas as suas limitações, quer a defender, quer a atacar. Nenhum jogador dos ucranianos teria lugar no Benfica. Nem talvez mesmo no banco. Até porque Jorge Jesus já encontrou o seu “joker”. Weldon, o reforço mais barato (276 mil euros), marcou dois minutos depois de entrar em campo (77’), tornando mais robusto o primeiro triunfo do técnico em jogos oficiais pelo Benfica. Uma vitória por quatro golos de diferença que as “águias” já não conseguiam na Europa há 11 anos.
POSITIVO
Di María
Foi ele a resgatar o Benfica da anemia inicial e a lançar as bases de uma vitória robusta e moralizadora. Mesmo com alguns excessos de indivualismo, o argentino foi uma das principais fontes de perigo para o Vorskla.
Weldon
Dois jogos, dois golos. O reforço mais barato do Benfica é o mais eficaz. Precisa de pouco tempo em campo para marcar. É um luxo ter um suplente assim.
David Luiz
É outro jogador no centro da defesa. Com grande disponibilidade física, destaca-se em relação aos colegas, apesar de um ou outro excesso.
NEGATIVO
Shaffer
Foi muito irregular e alternou boas decisões com erros primários. Contra adversários mais poderosos, poderá sentir muitas dificuldades.
Ficha de jogo
Estádio da Luz, em Lisboa.
Assistência 34.177 espectadores.
Benfica Quim 6; Ruben Amorim 6, Luisão 6, David Luiz 7, Shaffer 4; Javi García 7; Fábio Coentrão 6 (Ramires 6, 62’), Di María 8, Aimar 6; Saviola 6 (César Peixoto -, 80’), Cardozo 7 (Weldon 6, 75’).
Treinador Jorge Jesus.
Vorskla Poltava Dolganskiy 6; Yarmash 4 (Bezus 5, 61’), Medvedev 4, Dallku 4, Curri 4; Krasnopyorov 5, Markovski 6 (Chychykov -, 86’); Despotovski 5, Kulakov 5, Yesin 5; Sachko 4 (Januzi 4, 46’).
Treinador Nicolai Pavlov.
Árbitro Darko Ceferin 6, da Eslovénia.
Amarelos Shaffer (30’), Yarmash (37’), Kulakov (44’), Dallku (50), Januzi (73’) e Ramires (84’).
Golos 1-0, por Di María, aos 31’; 2-0, por Cardozo (g.p.), aos 54’; 3-0, por Saviola, aos 57’; 4-0, por Weldon, aos 77’.
Notícia actualizada às 22h30