Por esta altura já toda a gente ouviu falar de Edin Dzeko. Talvez também de Misimovic e de Blazevic. Carlos Xistra, que esteve recentemente em trabalho na Bósnia-Herzegovina, junta um potencial perigo para a selecção portuguesa: o estádio Bilino Polje, em Zenica.
“É o décimo segundo jogador da selecção”, disse ao PÚBLICO o árbitro de Castelo Branco, recentemente nomeado pelo comité da UEFA para dirigir dois jogos do Campeonato da Europa de sub-19. Pode dizer-se que o estádio de Zenica, uma cidade industrial a cerca de 70 quilometros de Sarajevo, não é um primor. “O relvado está em péssimas condições. Até a viagem de Sarajevo a Zenica é penosa. Por isso é que eles preferem jogar lá”, aponta Carlos Xistra, quarto árbitro ao serviço de Olegário Benquerença durante o Bósnia-Turquia, jogo de qualificação do Grupo 5 para o Mundial. “Em Sarajevo seria tudo muito melhor para Portugal”, completa.
Se na semana passada a imprensa espanhola falava do Bósnia-Espanha como um “jogo de alto risco de lesões” por culpa de um terreno irregular massacrado por nevões, em Setembro, nas vésperas do Bósnia-Turquia, o delegado da FIFA chamou a atenção para o estado do relvado. “E duas horas antes do jogo estava tudo na mesma: um declive enorme junto às pequenas áreas, algo que em Portugal não acontece nem nos distritais”, conta Carlos Xistra.
Entre o Bilino Polje, em Zenica, e o Kosevo, em Sarajevo, a selecção opta tradicionalmente pelo primeiro, com um curriculo mais vitorioso, mas também com os adeptos mais próximos dos jogadores - e, já agora, sem a maldição que dizem pairar sobre o estádio de Sarajevo, usado como cemitério durante a guerra dos Balcãs.
Xistra viu “uma equipa muito forte” e prevê “grandes dificuldades” para Portugal. Destacou obviamente Dzeko, “de longe o mais perigoso” (“É o Cristiano Ronaldo deles, o ídolo”) e Misimovic, “outro jogador com sinal mais”, mas também “a defesa” como “ponto mais débil”. “As pessoas estão entusiasmadas porque a selecção já fez mais do que aquilo que se esperaria. No sábado, depois de terem ganho à Estónia, passei em Sarajevo e foi como se tivessem sido campeões do mundo”.