Será inesquecível para o Everton o pesadelo europeu que viveu no Estádio da Luz. Os ingleses irão, acima de tudo, querer ver e rever o que aconteceu nos primeiros minutos do segundo tempo, quando foram atropelados pela máquina ofensiva “encarnada”, sofrendo três golos, a somar a outro encaixado no primeiro tempo, para não repetirem os mesmos erros. E as coisas ainda iriam piorar: no final, o conjunto de Liverpool fazia história em Lisboa, com a maior goleada sofrida da sua história na UEFA.
A forma como o Benfica humilhou o Everton, que chegou a Lisboa como líder isolado do Grupo I da Liga Europa, trouxe à memória o perfume de outras eras da história do emblema português. Absolutamente ninguém nas bancadas estaria preparado para o segundo tempo da equipa de Jorge Jesus. Muito menos os seis mil ingleses que preencheram o lado norte do terceiro anel do Estádio da Luz.
É certo que o conjunto britânico poderia justificar uma derrota com a ausência de muitos habituais titulares, mas não uma goleada com dimensão histórica. No final, os britânicos ficariam apenas a um golo da pesada derrota do Monsanto frente às segundas linhas do Benfica no passado fim-de-semana, para a Taça de Portugal. E Jorge Jesus queixava-se há dias dos possíveis efeitos negativos para a sua equipa da paragem das competições para os jogos das selecções…
Apesar de ter desvalorizado a importância desta terceira jornada da Liga Europa, o treinador benfiquista não entrou em poupanças. Ao “onze” titular regressou toda a “artilharia pesada”, que se traduz em cinco nomes cada vez mais aterrorizadores para as defesas adversárias: Ramires, Di María, Aimar, Saviola e Cardozo. No conjunto, são responsáveis por 25 golos da equipa.
Depois de uma primeira parte disputada, mas sem grandes grandes lances de futebol, exceptuando a jogada do primeiro golo da partida, construída pelo trio argentino, aos 14’ (Aimar tocou para Di María, na esquerda, cruzando este para um remate de primeira de Saviola), o Benfica regressou do balneário transfigurado.
Apostado em explorar as fragilidades de uma defesa de recurso do Everton, a equipa portuguesa aproveitou o primeiro erro do adversário, logo aos 47’: Aimar roubou uma bola e tocou para Saviola, que cruzou para a entrada de Cardozo. Um minuto volvido, Saviola e Di María construíram o terceiro. E quatro minutos depois (52’), Luisão, perante o pânico generalizado dos ingleses deixou o marcador em 4-0.
Terminou aí o desportivismo para muitos adeptos britânicos, que partiram em debandada do estádio, perdendo o cunho histórico que Saviola deu ao encontro, com o quinto golo, aos 83’.
Antes desta ronda, o Benfica somava três pontos e partilhava o segundo lugar com o AEK. O Everton era primeiro, isolado com seis pontos, mas a partir de agora tem a companhia do Benfica, que deixou a equipa grega para trás depois de esta perder na Bielorússia, por 2-1, com o BATE Borisov.
Na quarta jornada do Grupo I, o Benfica visita o terreno do Everton, Goodison Park, no dia 5 de Novembro (20h05) e o AEK recebe o BATE.
POSITIVO
Ataque do Benfica
Os números deixam nervoso qualquer adversário. O Benfica de Jorge Jesus é uma autêntica fábrica de golos. Já apontou 42 nas 13 partidas oficiais disputadas esta temporada, numa assombrosa média de 3,5 por encontro.
Saviola, Aimar, Cardozo, Di María
São a explicação para grande parte do que foi dito antes. Ontem, Saviola e Cardozo apontaram dois, cada um; Di María contribuiu com três assistências; Aimar esteve nos dois primeiros.
NEGATIVO
Defesa do Everton
A derrota dos ingleses começou nos dois defesas laterais de recurso. Mas para o desnorte do segundo tempo contribuiu toda a defesa e o meio-campo.
Ficha de jogo
Benfica, 5
Everton, 0
Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.
Assistência 44.534 espectadores.
Benfica Júlio César, Rúben Amorim, Luisão, David Luiz, César Peixoto, Javi Garcia, Ramires, Aimar (Carlos Martins, 69'), Di Maria, Saviola (Weldon, 84) e Cardozo (Fábio Coentrão, 77').
Everton Tim Howard, Gosling, Hibbert, Distin, Coleman, Rodwel, Tim Cahill, Fellaini, Bilyaletdinov (Saha, 61'), Jô e Yakubu (Baxter, 71').
Árbitro Nikolay Ivanov, da Rússia.
Amarelos Gosling (32') e Saha (76').
Golos 1-0, por Saviola, aos 14'; 2-0, por Cardozo, aos 47'; 3-0, por Cardozo, aos 48'; 4-0, por Luisão, aos 52'; 5-0, por Saviola, aos 83'.
Notícia actualizada às 21h10 e 21h27