Dois golos em três minutos acabaram com a resistência da Académica no Estádio do Dragão, onde o FC Porto venceu a equipa de Coimbra por 3-2, igualando provisoriamente o Benfica no segundo lugar.
A Académica não foi pêra doce. O FC Porto teve que roer muito para atravessar a organização made in Villas Boas e arrancar os três pontos que lhe permite alcançar o Benfica, que só hoje entra em acção. Depois de uma primeira parte que decorreu ao ritmo de um piquenique, os “dragões” sacudiram as migalhas e marcaram três golos. A Académica respondeu – mas “só” marcou dois.
O apito de Hugo Miguel para o intervalo foi acompanhado por um coro de assobios. Percebe-se porquê. O FC Porto não rendeu. E não rendeu, diga-se, porque a Académica, a nova Académica de Villas Boas, calculista, não o permitiu. Durante toda a primeira parte, os seus jogadores foram como uma sombra dos jogadores do FC Porto. Bruno Alves fazia um passo para a direita, a Académica dava dois passos para o lado esquerdo. Fernando recebia ao centro, a Académica apertava as marcações. Alvaro Pereira preparava-se para avançar, a Académica fechava-lhe o caminho. Tudo em bloco. Tudo como se tivesse saído do bloco de apontamentos de André Villas Boas, que um dia foi aluno nas Antas.
Os minutos foram passando com este espectáculo de natação sincronizada. O FC Porto entrou na área adversária com a bola controlada, mas isso foi aos 2’, num lance que terminou com Fucile agarrado à coxa (Sapunaru rendeu-o minutos depois). Depois disso, não se percebia muito bem quem mandava no jogo. Se o FC Porto, que tinha praticamente o monopólio da posse de bola, ou se a Académica, teimosa, organizada, enervante.
O tiquetaque do relógio começava a confundir-se com os protestos que chegavam da bancada. Percebe-se. O FC Porto, sem um criativo no miolo, sem soluções e principalmente sem velocidade no momento de encarar o ataque, não rendia. E a Académica, calculista, até ameaçou ter outros planos. Entre os 25’ e os 33’ fez quatro remates. Ao lado, fracos, à toa. Mas o primeiro objectivo foi alcançado. Intervalo. FC Porto nervoso.
A segunda parte não teve nada a ver. Se o FC Porto saiu da primeira parte nervoso, entrou na segunda com nervo. Se Jesualdo Ferreira pediu determinação, os seus jogadores responderam com um strike às organizadas peças da Académica. Aos 49’, ninguém apareceu para o desvio sobre a linha de golo. Aos 63’, o mesmo jogador acerta no poste da baliza de Rui Nereu. E dois minutos depois o público do Dragão pedia desculpa a Jesualdo Ferreira por ter duvidado da avaliação do técnico, que aos 58’ tirou Rodríguez mantendo em campo Mariano, o mal-amado. Aos 65’, o argentino aproveitou a confusão para cabecear para o 1-0. Três minutos depois, o mesmo jogador assiste Farías, que facilmente amplia a vantagem dos “dragões”. O FC Porto estava vivo. O jogo também.
Villas Boas também arriscou bem. Colocou em jogo Miguel Pedro, autor do golo mais bonito da noite (76’). Procurou que a sua equipa não perdesse a compostura e ainda assistiu a um golo (de Sougou) que não parecia fazer parte dos planos. Perdeu. Mas percebe-se porquê. Porque do outro lado estava o FC Porto.
Ficha de jogo
FC Porto 3
Académica 2
Jogo no Estádio do Dragão, no Porto.
Assistência 29.209 espectadores.
FC Porto
Helton 6; Fucile - (Sapunaru 5, 5’), Rolando 6, Bruno Alves 5, Álvaro Pereira 5; Mariano González 7, Fernando 6, Raul Meireles 6 (Guarín 6, 69’); Rodríguez 5 (Farías 7, 58’), Falcao 6, Hulk 5.
Treinador Jesualdo Ferreira
Académica
Rui Nereu 5; Pedrinho 6, Orlando 5, Markus Berger 6, Emídio Rafael 6; Nuno Coelho 6 (Éder 5, 71’), Cris 6, Tiero 6 (Diogo Gomes -, 84’); Sougou 7, João Ribeiro 5, Lito 6 (Miguel Pedro 7, 66’).
Treinador André Villas Boas.
Árbitro
Hugo Miguel 5, de Lisboa.
Amarelos Bruno Alves (66’), Nuno Coelho (71’) e Markus Berger (87’).
Golos1-0, por Mariano González, aos 66’; 2-0, por Farías, aos 68’; 2-1, por Miguel Pedro, aos 76’; 3-1, por Farías, aos 82’; 3-2, por Sougou, aos 90’+2.
Notícia actualizada às 22h58
POSITIVO e NEGATIVO
+
Mariano
Os adeptos achavam que ele já estava a mais, mas Mariano mostrou a sua utilidade. Marcou o primeiro golo, deu o segundo a Farías.
Farías
Dois golos. Mais uma vez mostrou que sabe da poda.
Académica
Não é qualquer equipa que coloca o FC Porto em sentido no Dragão. Não é qualquer um que marca dois golos no Dragão.
-
Lesão de Fucile
O jogo do FC Porto ficou condicionado logo ao segundo minuto de jogo.
Hulk
Fez muito mais coisas erradas do que certas.