Terá o Sporting de Braga estrutura para a candidatura ao título? O futuro responderá, mas se fosse preciso arriscar uma resposta com os dados disponíveis, dir-se-ia que sim. Os indícios: público, quase um terço do campeonato e oito vitórias em nove jogos, quatro golos sofridos – parecem demasiados depois do que se viu hoje -, vitória em Alvalade, vitória contra o FC Porto, o “Benfica meia-dúzia” a zero e o refrão “Follow the leader” na instalação sonora a assentar que nem uma luva. O Braga, com um grande apoio dos seus adeptos, impôs a primeira derrota ao Benfica (2-0) e está novamente sozinho no topo da Liga.
Se há coisa que o Braga mostrou foi a razão de ser a melhor defesa do campeonato, o que não quer dizer que não tenha sido uma equipa ofensiva. Foi e o resultado mostra-o. Começou até bem melhor do que o Benfica, que chegava a este jogo com o moral em alta, de goleada em goleada, mas depressa se viu encostado atrás. Este foi um encontro de ondas. Primeiro a do Braga. Ganhou várias faltas e numa delas, logo aos sete minutos, ainda sem ser testado atrás, inaugurou o marcador num excelente livre directo de Hugo Viana. O médio de 26 anos fez o adversário provar do seu próprio veneno: os lances de bola parada.
Foi a primeira desilusão para o Benfica e para Jorge Jesus, muito assobiado e criticado neste regresso a Braga. O jogo ficou mais dividido depois. Eduardo empenhou-se em remates de Di María e Ramires, Mossoró e Paulo César também tentaram a sua sorte. Aos 27’, Luisão mete a bola na baliza do Braga, mas Jorge Sousa decidiu anular o lance.
Depois da onda do Benfica, voltou a onda do Braga, mas no regresso aos balneários, no intervalo, foi tudo junto. Grande confusão no túnel sem se perceber grande coisa. A conclusão pôde ser retirada depois, quando o central Leone e o avançado Cardozo não apareceram para jogar na segunda parte. Domingos Paciência teve de reequilibrar as coisas e meteu novo central, Rodríguez, que até se mostrou mais acertado do que o seu companheiro. Apesar de ter perdido o seu melhor marcador, Jesus não substituiu ninguém, porque o expulso não era da base, da defesa.
O segundo tempo começou com o Benfica, que teve 12 cantos no jogo, a procurar o golo do empate, mas as suas tentativas bateram sempre em alguém, especialmente nos centrais bracarenses, Moisés e Rodríguez. O Jesus lançou Keirrison e tirou Javi García. O técnico tinha que buscar o empate, mas acabou por se pôr a jeito dos contra-ataques do Braga, que quase imediatamente voltou a conseguir trocar e aguentar melhor a bola mais à frente.
A substituição que rendeu acabou por ser do Braga e foi a de Matheus por Mossoró. Uma jogada concluída por Evaldo conseguiu tirar finalmente a pressão do Braga, que voltou soltar-se. E foi o Benfica que não aguentou. Dez minutos depois, Matheus driblou um adversário na área e centrou para Paulo César fazer o 2-0. Nesse momento, parecia haver karma suficiente no Municipal de Braga para levantar o estádio das suas fundações.
Domingos insistiu até este jogo que o Braga não é candidato ao título. Convém é avisar os seus jogadores.
Ficha de jogo
Sp. Braga, 2
Benfica, 0
Jogo no Estádio Municipal de Braga.
Assistência 24.188 espectadores.
Sp. Braga Eduardo 6, João Pereira 6, Moisés 8, André Leone 6, Evaldo 6, Vandinho 6, Hugo Viana 7 (Madrid -, 86’), Mossoró 6 (Matheus 6, 59’), Alan 6, Paulo César 6 e Meyong 6 (Rodriguez 7, 46’).
Benfica Quim 6, Maxi Pereira 5, Luisão 6, David Luiz 6, Fábio Coentrão 6, Javi García 6 (Keirrison 5, 55’), Ramires 6, Di María 7, Aimar 5 (Ruben Amorim -, 82’), Saviola 6 (Weldon -, 82’) e Cardozo 5.
Árbitro Jorge Sousa 5, do Porto.
Amarelos Fábio Coentrão (6’), Javi García (31’), David Luiz (31’), João Pereira (31’), Saviola (42’), Paulo César (70’).
Vermelhos Cardozo (intervalo) e André Leone (intervalo).
Golos 1-0, por Hugo Viana, aos 7’; 2-0, por Paulo César, aos 78’.
Notícia actualizada às 00h05