A Juve Leo e a Associação de Adeptos do Sporting (AAS) estão solidárias com as manifestações de ontem, em Alvalade, contra as más exibições da equipa, mas condenam qualquer acto de violência associado. Os dois movimentos defenderam o direito ao protesto e não gostaram de ver um grupo de sócios impedidos de transportar para o interior do estádio tarjas críticas, mas “não insultuosas”.
“As pessoas têm direito a manifestar a sua indignação por a equipa não estar bem, desde que não usem a violência”, referiu ao PÚBLICO Daniel Samico, vice-presidente da Juve Leo, a mais antiga claque do clube de Alvalade. Da mesma forma pensa a AAS, que “está solidária com todos os sportinguistas que não se revêm no actual estado do futebol” leonino. Admitindo que os “ânimos estão muito exaltados”, esta associação considera que foi a direcção do clube quem contribuiu para tal.
“Acabaram por ser o presidente do Sporting José Eduardo Bettencourt e o vice-presidente Mário Moniz Pereira a acicatar as coisas, com as declarações que foram proferindo”, apontou ao PÚBLICO Nuno Manaia Costa, presidente da mesa da assembleia geral da AAS. “Primeiro disseram que os descontentes deveriam sair do clube [Moniz Pereira], depois o presidente chamou ‘terroristas’ aos adeptos que protestam”, explicou.
O filme dos acontecimentos em Alvalade, no domingo, principiou uma hora e um quarto antes do início da partida, às 19h, quando um grupo de cerca de 20 adeptos exibiu para a comunicação social duas tarjas onde podia ler-se “Minoria Absoluta” e “Rua — Vassourada”, entoando de seguida cânticos contra os maus resultados da equipa. O protesto fora marcado na internet durante a semana, através do Fórum SCP, mas a manifestação acabaria por ser desmarcada por não ter sido autorizada pelo Governo Civil de Lisboa. Mesmo assim, este grupo de jovens adeptos, no total 40 ou 50, mais ou menos dispersos persistiram no protesto e prepararam as tarjas, que seriam depois impedidas pela polícia de entrar no recinto.
O que se passou no final do jogo, foi algo diferente, a começar pela dimensão. Insatisfeitos com a perda de mais dois pontos no campeonato, após o empate com o Marítimo a uma bola, cerca de duas a três centenas de sportinguistas dirigiram-se à zona do auditório, no lado norte do Estádio de Alvalade, para confrontarem jogadores, técnico e dirigentes, mas acabaram impedidos pelas forças de intervenção da PSP.
Uma “actuação desproporcionada” da polícia, considera a AAS, acusando as forças da ordem de terem disparado de frente contra sportinguistas. Já a PSP garante ter disparado para o ar, após os manifestantes terem derrubado grades e lançado pedras.