O FC Porto vai “ter que sofrer muito”. As declarações de Jesualdo, na antevisão da quarta jornada do Grupo D da Liga da Campeões, não podiam ter sido mais acertadas. Em Nicósia, frente ao APOEL, os portistas foram muito superiores a um adversário que mostrou, mais uma vez, ser inferior, mas apenas a seis minutos do fim chegaram ao golo através de Falcao. Com esta vitória e o empate do Atlético de Madrid, o FC Porto já tem um lugar garantido nos oitavos -de-final da Champions.
Após as vitórias sofridas nos últimos jogos no Estádio do Dragão frente ao APOEL (2-1) e Académica (3-2) e o empate na última jornada da Liga portuguesa frente ao Belenenses (1-1), Jesualdo Ferreira disse que o jogo em Nicósia seria “um elemento de medição das capacidades” dos portistas que teriam que se “assumir”. No entanto, mesmo tendo mostrado atitude, o FC Porto parece ter ganho o gosto de sofrer.
Apesar das ausências de jogadores que podem desempenhar um papel importante dentro da equipa, como Fucile, Varela, Mariano e Valeri, o FC Porto tinha a possibilidade de apresentar frente ao APOEL aquele que é, em teoria, o “onze” mais forte à disposição de Jesualdo. Os nomes fortes estavam todos — Hulk, Falcao, Meireles, Fernando ou Bruno Alves —, mas o rendimento e actual momento de forma das “estrelas” portistas tem estado muito longe do ideal nas últimas partidas.
Jesualdo Ferreira optou por apostar em Guarín para o lado direito no centro do terreno. Assim, apesar de já estar recuperado da lesão que o afastou do primeiro jogo contra o APOEL, Belluschi voltou a não ser opção na Liga dos Campeões. E com Guarín na equipa, o FC Porto perdeu criatividade, velocidade nas transições e precisão no último passe, mas ganhou músculo e poder de choque num sector (meio-campo) onde o APOEL costuma colocar cinco jogadores.
O jogo acabou por mostrar que, apesar da vontade do APOEL em procurar mais a baliza de Helton do que o fez no Dragão — aos 14’ Mirosavljevic obrigou o guarda-redes brasileiro a uma grande defesa —, a diferença de qualidade entre as duas equipas é enorme.
Jesualdo tinha dito que para vencer o “início de jogo” seria “muito importante”. E o FC Porto entrou bem e mostrou rapidamente que estava no Chipre para ganhar, apesar do susto provado pelo remate de Mirosavljevic.
Com Raul Meireles mais “solto” — com Guarín em campo fica com mais liberdade — e rematador (foram do médio os primeiros remates do jogo), o FC Porto já tinha nove remates à baliza de Chiotis à meia-hora, altura em que Hulk, completamente isolado frente ao guarda-redes grego, deixou-se antecipar e perdeu um golo feito. Essa foi apenas a mais flagrante de várias oportunidades falhadas de quem, pareceu, querer sofrer e chegava ao intervalo com um castigo (empate sem golos).
A segunda parte voltou a ser mais do mesmo. Mais FC Porto e um APOEL apenas esforçado. Falcao, tal como Hulk, falhou um golo certo aos 55 minutos e, nos momentos seguintes, os cipriotas pareciam querer entrar na discussão do encontro. No entanto, já com Farías em campo, o golo que garantiu o triunfo (justo) e a qualificação acabou por surgir. Faltavam seis minutos para o fim e seria Falcao, que tantos golos tinha falhado nos últimos jogos, a garantir os três pontos e o carimbo para os oitavos-de-final.
Ficha de jogo
APOEL, 0
FC Porto, 1
Jogo no Estádio GSP, em Nicósia.
Assistência: Cerca de 15.000 espectadores.
APOEL Nicósia Chiotis, Poursaitides, Kontis (Papathanasiou, 89'), Broerse, Elia (Grncarov, 58'), Nuno Morais, Satsias, Jean Paulista (Alexandrou, 61'), Charalambides, Hélio Pinto e Mirosavljevic.
FC Porto: Helton, Sapunaru, Rolando, Bruno Alves, Álvaro Pereira, Fernando, Guarin (Tomás Costa, 83'), Raul Meireles, Cristian Rodriguez (Ernesto Farias, 69'), Falcao (Belluschi, 90') e Hulk.
Árbitro: Damir Skomina (Eslovénia).
Amarelos: Charalambides (51'), Elia (52'), Hélio Pinto (74'), Álvaro Pereira (86') e Hulk (86').
Golo 0-1, por Falcao, aos 84'
Notícia actualizada às 22h44
POSITIVO e NEGATIVO
+
Falcao
Apesar de ter falhado um golo fácil aos 55’, e de nos jogos anteriores para o campeonato também não ter estado feliz, acabou por ser o herói da partida ao apontar, a seis minutos do fim, o golo que garantiu a qualificação do FC Porto.
Guarín
A sua titularidade foi uma surpresa, mas o colombiano fez uma boa exibição, contribuindo para a solidez do meio-campo.
-
Rodríguez
Esteve 69 minutos em campo e acabou por ser tempo a mais para o rendimento que (não) mostrou. O uruguaio está uma sombra do que mostrou ser capaz na última época e a lesão que sofreu no início da temporada não justifica tudo. Esteve lento, apático e pouco confiante.