Alvalade continua uma espécie de casa dos horrores para os adeptos do Sporting. Na recepção ao tricampeão da Letónia, o Ventspils, os “leões” voltaram a presentear as bancadas com uma exibição sofrível e não conseguiram mais do que um empate – o terceiro consecutivo. O público respondeu como tem sido norma, com assobios e, desta vez, também com lenços brancos para o treinador Paulo Bento, cuja popularidade continua longe da retoma.
Qualquer marciano que esta quinta-feira tivesse aterrado no reduto sportinguista adivinharia que as coisas andam mal. E nem precisaria de penar os 90 minutos no frio de Alvalade para perceber que felicidade é coisa distante. Bastava olhar para as tarjas de duas das claques leoninas, estrategicamente colocadas de cabeça para baixo, em sinal de desagrado pela carreira tristonha que a equipa de Alvalade tem vindo a protagonizar. E quando a equipa visitante se adiantou no marcador (um livre e cabeceamento de Zamperini, aos 15’), não só se evidenciava algumas das pechas deste Sporting (desconcentrações defensivas, tendência para sofrer golos cedo e em lances de bola parada) como também parecia dar-se razão que, por ali, tudo está de cabeça para baixo.
Até hoje, a Liga Europa era o último reduto de alegrias dos “leões”, mas depois do 1-1 na quarta jornada desta prova, deixou de haver terreno fértil. Bento perdeu os primeiros pontos nas competições europeias e, com uma fraca exibição, adiou o apuramento para os 16 avos-de-final porque o Hertha foi à Holanda vencer o Heerenveen.
O golo do empate (de Saleiro, aos 22’, numa jogada que foi precedida de mão na bola por Vukcevic) restituiu alguma esperança aos adeptos, mas a equipa da casa continuou a denotar ansiedade e, pior, mostrou ainda menos ideias do que na partida com este adversário na Letónia.
Ao intervalo, André Marques (que já tinha um amarelo) ficou no balneário, Angulo foi a aposta de Bento e Veloso foi para lateral-esquerdo. Pouco depois, Veloso passou a central, porque entrou Grimi para o lugar de Carriço, que saiu do campo a coxear. A maldição “verde-e-branca” subia ainda mais de tom com uma segunda parte para esquecer, com a equipa da casa a desaparecer gradualmente da partida. Uma tentativa de Vukcevic (69’) e mais uma ou outra tentativa não chegaram para consolar Alvalade, nem para disfarçar uma crise que se agudiza a cada jogo que passa. E que só não explodiu em vergonha porque Rui Patrício (82’) teve rins para emendar o que poderia ter sido o segundo golo do Ventspils.
POSITIVO
Matías Fernandez
Foi o mais esforçado e o melhor do Sporting. Parece star num bom momento, depois de se ter encontrado com os golos na Liga.
Saleiro
Tem poucos minutos jogados e foi uma novidade no “onze” titular, Marcou um golo, mas pouco mais fez.
NEGATIVO
André Marques
Raramente acertou no passe e viu-se em dificuldade para travar Zigajevs. Obrigou Paulo Bento a queimar uma substituição para evitar uma expulsão.
Ficha de jogo
Jogo no Estádio José Alvalade, em Lisboa.
Assistência 18.103 espectadores.
Sporting Rui Patrício 0, Pedro Silva 0, Carriço 0 (Grimi 0, 54’), Tonel 0, André Marques 0 (Angulo 0, 46’), Miguel Veloso 0, João Moutinho 0, Vukcevic 0 (Hélder Postiga 0, 76’), Saleiro 0, Matias Fernández 0 e Liedson 0. Treinador Paulo Bento
Ventspils Kolinko 0, Mihadjuks 0, Zamperini 0, Ndeki 0, Hodel 0, Laizans 0, Kosmacovs 0, Tigirlas 0 (Rugins 0, 92’), Chirkin 0, Zigajevs 0 (João Martins 0, 52’) e Gauracs 0 (Butriks 0, 73’). Treinador Nunzio Zavettieri
Árbitro Aleksandar Stavrev 0, da Macedónia. Amarelos André Marques (14’), Zigajevs (45’), Matias Fernandez (63’) e Pedro Silva (83’).
Golos 0-1, por Zamperini, aos 15’ e 1-1, por Saleiro, aos 22’.
Notícia em actualizada às 20h30