A fórmula parece fácil, mas não é. Augusto Inácio estudou-a vezes sem conta e aplicou-a na Luz: defender até não poder mais. O resto? Esperar que a bola ao poste de Saviola não entre, que o tiro de Di María não vá abaixo da barra, que o guarda-redes Peiser faça defesas fantásticas. E ter Nuno Gomes a jogar na frente do adversário. E saber que Ramires e Cardozo não jogam também ajuda. Fazer isto durante 89 minutos e cair no último minuto só mostra que a fórmula não é perfeita. Mas Javi García parece andar lá perto.
Além do jogo exemplar que fez no meio-campo, foi o espanhol, de cabeça, a fazer o golo. Jorge Jesus, já sem casaco e em mangas de camisa, chamou às várias possibilidades do Benfica “argumentos”. Foram 23 livres a favor dos “encarnados” (contra 5 da Naval) e os figueirenses estudaram tudo, excepto o poderio físico de García. E quando o estádio todo exultou com o golo, Michel quase fez nos descontos o empate: seria injusto. As “águias” fizeram um golo em 29 remates, contra os cinco dos figueirenses. A Luz quase gelou, mas o apito final de Lucílio Baptista - que voltou a casa dos benfiquistas após a polémica final da Taça da Liga – descansou os corações dos adeptos.
Tinham razão para querer esta vitória. É um golo que vale em quatro campos: o Benfica ganhou pontos ao Sp. Braga (perdeu em Guimarães), FC Porto (derrotado na Mdeira) e, se pode existir um candidato ao título a 11 pontos, ao Sporting (empatou em Vila do Conde). Por isso a festa merecida dos benfiquistas. Não goleou, mas os adeptos festejaram tanto como nas anteriores goleadas.
O relógio funcionou a favor da Naval. Mas à medida que o fim ia chegando mais tempo passava na sua área. E isso levava a acreditar num final pouco feliz para quem prescindiu da pose de bola (apenas 33 por cento) e deixou de atacar – Quim não fez uma única defesa. A fé estava nas mãos de Peiser: o guarda-redes fez seis boas defesas aos remates de Di María, García, e até travou a traição de Daniel Cruz que atirou contra a própria baliza.
Sem Ramires, castigado, Jesus chamou Nuno Gomes, mas a opção foi tão falhada como o golo que o português desperdiçou. Na recarga a um remate, não conseguiu sem oposição bater Peiser na pequena área. Saiu para entrar Weldon: o Benfica acabou o jogo com o brasileiro, Keirrison e Saviola. Sem ser “aquela máquina”, acreditava-se (embora menos) num golo a qualquer momento. Numa das balizas somente, já que Kerrouche, rotulado de goleador (chegou com cinco golos em 432 minutos), teve poucas hipóteses.
Tão poucas como a equipa de Inácio, que venceu três dos últimos quatro jogos. Não saiu corrido a goleada como o V. Setúbal ou o Nacional, mas também não conseguiu o brilharete do Marítimo na primeira jornada (1-1).
Ficha de jogo
Benfica, 1
Naval, 0
Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.
Assistência: 41.981 espectadores.
Benfica Quim, Maxi Pereira (Keirrison, 77), Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Ruben Amorim, Di Maria, Aimar (Filipe Menezes, 85), Nuno Gomes (Weldon, 59) e Saviola.
Naval 1º de Maio Peiser, Carlitos, Gomis, Diego Ângelo, Daniel Cruz, Marinho (Bolívia, 82), Alex Hauw, Godemeche, Baradji, Camora e Kerrouche (Simplício, 68).
Árbitro: Lucílio Baptista (Setúbal).
Amarelos: Gomis (10), Godemeche (29), Maxi Pereira (38), Baradji (56).
Golo 1-0, por Javi García, aos 89 minutos.
Notícia actualizada às 23h05