A mulher do guarda-redes alemão revela que Enke recorreu a terapia nos últimos anos e recorda "momentos difíceis" com o antigo jogador do Benfica: "Quando estava em crise, faltava-lhe motivação".
"Muitas vezes não tinha vontade de melhorar", contou hoje, em conferência de imprensa, Teresa, a agora viúva de Robert Enke. Na carta que deixou, o futebolista pede desculpas por ter tentado esconder a doença: "É de loucos porque viria sempre a saber-se. Pensámos que conseguiríamos fazer tudo e que conseguiríamos resolver o problema com amor, mas nem sempre se consegue", explicou, entre lágrimas. “Ele tinha medo de tornar pública a sua depressão porque temia que pudesse perder tudo, no futebol e na vida privada", concluiu.
O médico que acompanhou Enke desde 2003, durante um período turbulento no qual jogou sem sucesso em Espanha e na Turquia, revelou que o jogador recusou ser tratado no dia em que se suicidou, argumentando que se sentia bem: "Sofria de depressão e medo de falhar", afirmou Valentin Markser.
Em choque com a morte do internacional alemão, a federação germânica já fez saber que o jogo particular com o Chile foi cancelado, para permitir o luto à selecção. "Era claro para toda a gente que não podíamos jogar. Precisamos de digerir tudo isto", explicou o dirigente Theo Zwanziger.
O impacto da notícia chegou inclusive ao gabinete da chanceler alemã Angela Merkel, que comunicou a sua solidariedade e compaixão para com a viúva do guarda-redes "numa carta muito pessoal", adiantou o porta-voz do Governo Christoph Steegmans.