Milhares de pessoas participaram hoje num desfile fúnebre pelo centro de Hanôver e num serviço religioso em memória de Robert Enke, guarda-redes da selecção alemã de futebol, ex-jogador do Benfica, que se suicidou na terça-feira.
Entre os que assistiram à missa na Marktkirche, na capital da Baixa-Saxónia, estavam o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Theo Zwanziger, o selecionador nacional, Joachim Low, o internacional Michael Ballack, amigo de Enke desde os 13 anos, e outras membros da equipa técnica da DFB.
Dentro da igreja, assistiram à missa celebrada pela presidente da Igreja Protestante na Alemanha, a bispa Margot Kaessman, cerca de 700 pessoas que encheram o templo, e fora da igreja estavam mais 3000 pessoas, aproximadamente.
“A morte desde atleta mostra que o futebol não é tudo na nossa vida. No meio da popularidade e do sucesso pode haver uma profunda solidão e desespero”, disse a prelada protestante no seu sermão.
“O sofrimento, a fraqueza e a doença são parte da nossa vida. Robert Enke não quis que outras pessoas trilhassem o seu caminho, ele amava a vida”, disse Kaessmann, que terminou citando o refrão de uma célebre canção britânica, lema do Liverpool (Inglaterra): “You’ll never walk alone” (nunca andarás sozinho).
O padre católico Heinrich Plochg, ferrenho adepto do futebol, mostrou na missa umas luvas de guarda-redes que Enke lhe ofereceu, e disse que ainda no domingo passado esteve a ver atrás da baliza o jogo entre o Hannover 96, de cuja equipa Enke era actualmente o “capitão”, e o Hamburgo.
A morte de Enke “é uma grande perda não apenas para a sua família”, disse o sacerdote.
A mulher de Enke, Teresa, acendeu a primeira vela na missa, e estava acompanhada pelo empresário e amigo íntimo do jogador, Joerg Neblung.
Teresa revelou hoje em conferência de imprensa que o seu marido sofria de graves depressões, que culminaram na sua morte, aos 32 anos.
Ao fim da tarde de terça-feira, Enke parou o carro junto a uma linha ferroviária, a poucos quilómetros de sua casa, a norte de Hannover, e caminhou pelos trilhos até ser colhido por um comboio, sofrendo morte imediata.
O internacional alemão, natural de Jena, na ex-RDA, representou vários clubes ao longo da sua carreira, mas confessou que os melhores anos da sua vida foram passados no Benfica, entre 1999 e 2002.
A seguir à missa em Hannover, um cortejo organizado pelos adeptos do clube local dirigiu-se para o estádio, que durante todo o dia foi destino da peregrinação de muitos adeptos anónimos, para se inscreverem no livro de condolências, deporem flores e acenderem velas em memória do número 1 do clube.
O funeral de Enke realiza-se no domingo de manhã, e à mesma hora haverá uma homenagem ao guarda-redes no estádio do Hannover 96 - onde Enke disputou no fim-de-semana o derradeiro jogo da sua vida, contra o Hamburgo -, em que participarão vários internacionais alemães.