O novo treinador do Sporting deu uma entrevista ao site do clube e quer os adeptos a apoiar a equipa “neste período menos bom”. “A hora é de trabalho”, diz o substituto de Paulo Bento, que quer viver 24 horas o espírito leonino
“Tenho um traço diferente. Muda um treinador, mudam também algumas coisas. Não vai mudar de repente, mas com o tempo muda alguma coisa”, afirma Carlos Carvalhal. O traço é de quem está preparado para o novo desafio: “Sim, estou preparado”, começa a entrevista de cerca de sete minutos ao site oficial do clube. E depois dirige-se aos adeptos.
“Os clubes têm momentos em que a sua parte desportiva, neste caso a sua equipa de futebol, tem algumas dificuldades. Este é um período menos bom”, conta Carvalhal, ele que aos 43 anos chega a um grande do futebol português. “Muitas vezes leva a que os clubes possam estar adormecidos – como acontece com outros clubes na Europa. São períodos menos bons”, analisa. E lança o desafio.
“O repto que lanço a todos os sportinguistas é que é muito importante que cada associado possa ir com grande prazer e assumir estes momentos com exaltação”, diz, “para [o clube] não entrar em adormecimento”.
Para o técnico, que esta época já treinou o Marítimo, o Sporting “não é um momento”. “Não é uma conjuntura, é um estrutura muito forte, com muitos anos e [uma] historia riquíssima”.
Sempre com o discurso virado para os adeptos, Carvalhal, que já venceu uma Taça da Liga às custas do Sporting, apela ao orgulho. “Têm de apoiar de forma orgulhosa o clube para que no final da época tenhamos a consciência de ter feito tudo”:
”Traço diferente do outro treinador
Um dos principais desafios de Carvalhal é conseguir recuperar a equipa, oitava classificada no campeonato. “Existe competência, um trabalho passado que foi bem feito. A conjuntura levou a que a equipa baixasse os seus níveis de autoconfiança e de auto-estima”, justifica.
“A vontade dos jogadores é muito grande”, confirma. E diz que chegou para mostrar um traço distinto do anterior. “É um traço diferente. Muda um treinador mudam também algumas coisas. Não vai mudar de repente, mas com o tempo muda alguma coisa”, exemplifica.
Com o jogo do Benfica às portas, antes há a eliminatória da Taça de Portigal, com os Pescadores da Costa da Caparica, da III Divisão (Série F).
“A nossa preocupação é o jogo da Taça de Portugal, no domingo. Não adianta projectar o que se irá passar daqui a 15 dias. A concentração é absoluta para tentar melhorar algumas coisas. Existe confiança e uma dinâmica boa – temos de ultrapassar a eliminatória. É este o nosso lema”, diz.
”Situação difícil no campeonato”
Carvalhal herda a equipa numa situação complicada, mas diz que as contas só são feitas no final. “No campeonato a situação não é fácil. Não nos adianta pensar em Maio se hoje em dia não trabalharmos”, afirma, lembrando a máxima de “um jogo de cada vez”. “No final do campeonato veremos o saldo”. “A hora é de trabalho”.
Adeptos exigentes
As críticas, boas e más, caíram na imprensa mal se soube o nome do novo treinador do Sporting. Mas Carvalhal diz não se deixar levar pela crítica. “Há criticas positivas e negativas. Não estou preocupado nem exaltado com as criticas que me são dirigidas. Estou aqui para servir o Sporting”, contou.
“Nunca me viram quando venci competições a ficar eufórico, nem com depressão quando as coisas correram menos bem. As críticas não me afectam nem negativa nem positivamente”, conclui.
E diz que só pensa no Sporting. “Acima de tudo estou concentrado 100 por cento e viver 24 por dias para o Sporting. Vou passar toda a ambição que tenho para os meus jogadores”.