Queiroz prometeu para hoje uma selecção capaz de impor o ritmo e de atacar a baliza da Bósnia desde o primeiro minuto. Ou seja, assumiu para o depauperado relvado de Zenica algo que esteve longe de oferecer num Estádio da Luz em que o ambiente até lhe era bem mais favorável.
Apesar do aparente contra-senso, o discurso do seleccionador pode fazer sentido. Porque um golo marcado cedo por Portugal deixará o play-off quase resolvido e porque os "lobos esfomeados" anunciados por Blazevic, na ânsia de anularem a desvantagem, podem conceder mais espaços do que em Lisboa. Isso poderá favorecer Portugal em termos de circulação e posse de bola, que em Lisboa acabou com 50 por cento para cada lado.
O mais previsível é que Queiroz recorra ao plano B e repita o 4x4x2 losango estreado na Dinamarca. A escolha dos protagonistas vai depender de vários factores, incluindo as próprias opções de Blazevic, que deverá dar mais tracção ofensiva ao 3x5x2. É isso que transparece do "onze" inicial que Blazevic anunciou ontem à imprensa dos Balcãs.
Sem os três castigados (o central Spahic e os médios de cobertura Rahimic e Muratovic), o veterano e carismático treinador tentou disfarçar da melhor forma as debilidades da Bósnia ao nível das segundas escolhas. Assim, Blazevic vai lançar o central Pandza (Hajduk Split, da Croácia) e o médio Bjramovic (Frankfurt, da Alemanha), fazendo ainda recuar alguns metros Misimovic, que está com um problema no joelho. Se não recuperar, será substituído por Medunjanin, o que seria uma boa notícia para Portugal. Estas alterações visam, entre outras coisas, colocar em campo Pjanic. O jovem de 18 anos, que tem estado em destaque no Lyon, é um jogador capaz de criar desequilíbrios e deverá surgir no apoio aos avançados Dzeko e Ibisevic, mantendo-se o perigoso Salihovic na faixa esquerda e Ibricic no lado contrário.
A presença do talentoso e irrequieto Pjanic na equipa inicial da Bósnia poderá levar Queiroz a uma opção mais conservadora no lado esquerdo da defesa, até porque Duda continua a mostrar não ser solução para o lugar. A alternativa mais óbvia é Miguel Veloso.
Mas o jogador do Sporting também está longe de dar garantias no jogo aéreo, algo de preocupante face a um adversário com as características da Bósnia, que tem uma média de altura bem superior. Poderia, por isso, fazer sentido apostar em Ricardo Costa, que treina todos os dias com Dzeko e Misimovic e que já ocupou a posição nos tempos do FC Porto. Seria um reforço importante em termos de agressividade e até nos lances de bola parada. Além disso, permitiria investir mais na profundidade no flanco oposto, talvez com a entrada de Miguel para o lugar de Paulo Ferreira.
Caso se confirme a aposta no 4x4x2 losango, Tiago deverá retomar o seu lugar no miolo, ficando Deco mais livre para o apoio ao duo da frente. A escolha deste será sempre uma grande dor de cabeça. Sem Ronaldo ou Danny, não há um candidato claro para fazer parelha com Liedson, por razões de compatibilidade. A opção irá recair entre Simão e Nani, com vantagem provavelmente para o primeiro.
Uma boa notícia parece ter sido a nomeação do árbitro Roberto Rosetti, um italiano de 1,90m de altura visto como o sucessor de Pierluigi Collina e que deverá estar preparado para o ambiente escaldante. Mas foi também ele que, na Suécia, deixou por marcar aquele penálti escandaloso sobre Paulo Ferreira...