O jornal Record publica hoje uma entrevista com Paulo Bento, antigo treinador do Sporting, onde o ex-técnico dos “leões” lança criticas a quem está no clube, diz esperar que Bettencourt não “perca a coragem” e afirma que estava montado “um cenário” para o afastar.
O antigo treinador do Sporting diz na entrevista que sempre teve a “confiança e solidariedade” dos dirgentes com quem trabalhou e que a frase “Paulo Bento Forever”, dita por José Eduardo Bettencourt, foi isso mesmo: “Um sinal de confiança”.
A saída de Alvalade - “Disse que queria ir embora. Não dei hipóteses de escolha” - deu-se por ter a certeza que “já não era a solução” e, por isso, “colocou o lugar à disposição”.
Apesar de confessar que “de início” não imaginava “que as coisas corressem tão mal”, Paulo Bento afirma que “o jogo com o Marítimo foi decisivo e “trouxe a definitiva convicção que estava na altura de dar o lugar a outro”.
Protagonismo no clube
“Pouco tempo” depois de chegar ao Sporting, Paulo Bento diz que percebeu que a SAD “tinha intenção de blindar o grupo de trabalho” e que no clube “muita gente procura protagonismo, falando sistematicamente de fora para dentro, sendo muitos deles, se calhar, responsáveis pela situação que o Sporting atravessa”. “Esses doutores que gostam de estar de forma permanente na comunicação social, alguns deles com responsabilidades no clube, não tiveram comportamentos próprios com certos valores e não foram solidários, especialmente nestes quatro meses.”
Bettencourt é corajoso
Segundo Bento, Bettencourt é “uma pessoa corajosa”. “Tenho-o como uma pessoa séria, credível e demonstrou-me uma solidariedade enorme. Espero que, apesar da emotividade daqueles dois dias, ele não perca a coragem que revelou. Sei que ser presidente do Sporting era um sonho para Bettencourt, mas tenho a certeza de que nunca o será a qualquer preço”, diz Paulo Bento. No entanto, o treinador deixa um alerta: “Faça o que fizer, quem lhe quer mal não vai desistir de tentar fazê-lo.”
Criticas a Rogério Alves
Um dos directamente visados pelo treinador foi Rogério Alves. Paulo Bento acusa-o de ter proferido “intervenções em que misturava a amizade com o trabalho” e que “uma pessoa que é uma figura do clube pelo cargo que ocupa [presidente da AG] e não tanto por aquilo que tenha feito na história do Sporting, teve ao longo desde quatro meses alguns comportamentos” considerados por Bento “nem correctos, nem éticos”.
Cenário montado
A saída de Alvalde aconteceu “pelos resultados e por a equipa não ter capacidade para jogar melhor” e Paulo Bento diz que não cedeu às pressões: “Se quisesse sair pelo ambiente que estava criado, poderia ter saído quando viemos da Madeira em 2007/08, quando invadiram a garagem na oitava jornada de 2008/09 após o jogo contra o Leixões, quando parei à porta da Academia depois do encontro com o Bayern – e tudo isto com a minha família por perto a assistir. Por isso, não era por 200 ou 300 indivíduos quererem invadir Alvalade que iria pedir para sair.”
No entanto, afirma que estava montado “um cenário que pretendeu desde cedo atingir certas pessoas, pensando talvez que não atingiria o mais importante, os jogadores. O problema é que atingiu toda a gente.” “Creio que o cenário foi montado e orientado em primeiro lugar para as três pessoas que saíram agora. E fizeram-no de duas maneiras: uma, atingindo o Pedro Barbosa para ver se chegavam ao treinador e outra pelo treinador, para ver se atingia as outras duas pessoas. Isso parece-me evidente”, acusa.