O sofrimento que tem assolado esta temporada do FC Porto não terminou frente ao Chelsea. Os “dragões” saíram derrotados (1-0) de um confronto em que nenhuma equipa arriscou demasiado e ficaram em segundo lugar no Grupo D.
Entraram com demasiados receios perante as estrelas de uma das melhores equipas do mundo. Soltaram-se ainda na primeira parte e construíram duas excelentes oportunidades. Mas falharam ambas. A equipa inglesa teve apenas uma verdadeira ocasião de golo. Bastou. Estava lá Anelka.
Os primeiros minutos mostraram um FC Porto à imagem daquele que se tinha visto nos últimos tempos. Ofuscado pelo brilho das estrelas do Chelsea, quase a jogar de forma reverente perante os multimilionários. Do lado de lá, distinguia-se Anelka, um jogador que cresceu muito nos últimos tempos. No FC Porto salvava-se a categoria de Bruno Alves e pouco mais. A equipa permanecia hesitante, demasiado recuada e com dificuldades para articular as jogadas. Mas a defesa, comandada por Bruno Alves, não permitiu uma única verdadeira oportunidade de golo aos ingleses.
Mas o tempo foi-se encarregando de dar alguma confiança aos homens do Dragão. Uma reacção que veio de onde menos se esperava. Dos pés de Bellushi, um jogador que durante boa parte do tempo se distinguiu mais pelas asneiras do que propriamente pela imaginação que dava à equipa. O argentino soltou-se. Aos 20’, pegou na bola, passou Malouda e encheu o pé: Cech não teve outra solução se não defender para a frente, a bola sobrou para Falcao, que teve tudo para fazer o golo, mas rematou contra o corpo do guarda-redes checo.
O lance teve a virtude de retirar aos campeões nacionais o peso extra de defrontarem uma das melhores equipas do mundo. Anelka foi perdendo brilho, Drogba nunca foi exuberante e o FC Porto passou a estender o jogo pelo campo todo. Muito por culpa do acerto nas marcações, com Fernando a dar outro apoio aos centrais, e da subida de forma de Raul Meireles. Deco, que foi aplaudido em pé por todo o estádio quando foi substituído, aos 76’, por Joe Cole, também foi uma sombra daquilo que se lhe conhece.
A outra única verdadeira oportunidade de golo voltou a surgir para o FC Porto. Mais uma vez dos pés de Bellushi. O argentino armou o pé direito à entrada da área, após um bom passe de Varela, mas a bola, que seguia sem defesa possível, foi devolvida com estrondo pela barra. O argentino não deixa de resto de ser um caso estranho. É capaz de momentos brilhantes (como as duas oportunidades de golo que criou), mas muitas vezes também como que desaparece de campo, descurando as tarefas defensivas. Um problema extra para uma equipa que joga em 4x3x3.
A segunda metade não foi muito diferente da primeira. Mas o Chelsea voltou a ter mais bola. E a entrada de Hulk para o lugar de Varela não trouxe nada de bom aos portistas, até porque o português esteve bem a ajudar a defender e a atacar. O brasileiro não ajudou na defesa, Sapunaru viu-se perante dois adversários e permitiu o entendimento de Zhirkov e Malouda, com o francês a cruzar e Anelka, tal como tinha acontecido em Stamford Bridge, a concluir com um cabeceamento fulminante. Um golo que valeu três pontos e o primeiro lugar no Grupo D.
Ficha de jogo
FC Porto, 0
Chelsea, 1
Estádio do Dragão, no Porto.
Assistência 38.410 espectadores.
FC Porto Beto 6, Sapunaru 4 (Farias -, 79’), Rolando 5, Bruno Alves 6, Álvaro Pereira 5, Fernando 6, Raul Meireles 6, Belluschi 6 (Guarin 5, 71’), Varela 6 (Hulk 4, 60’), Rodriguez 5 e Falcao 4.
Chelsea Cech 6, Ivanovic 6, Ricardo Carvalho 6,
John Terry 6, Zhirkov 7, Obi Mikel 6, Ballack 6
(Essien 6, 68’), Malouda 6, Deco 5 (Joe Cole 5, 76’), Nicolas Anelka 7 e Drogba 5.
Árbitro Jonas Eriksson 5, Suécia. Amarelos Fernando (50’), Ballack (58’) e Raul Meireles (79’).
Golo 0-1, por Anelka, aos 69’.
Notícia actualizada às 22h18